Fabiano Ristow
| Pistorius vai poder disputar por uma vaga nas Olimpíadas |
| Liliana, na Noruega |
Essas pernas artificiais são apenas um exemplo de como a tecnologia vem expandido os limites do corpo e lhes devolvendo capacidades perdidas. As pessoas com deficiência têm muito a ganhar com isso, já que muitas vezes são impedidas de realizar funções básicas do dia-a-dia. Impedidas até quando? Com o desenvolvimento tecnológico colocando no mercado aparatos auxiliares cada vez mais sofisticados, é o que essa parcela da população já pode se perguntar.
Diana Cristina Witzke, de 15 anos, teve a oportunidade de superar algumas de suas limitações fora no Brasl, com a ajuda de um equipamento chamado NF-Walker. Ela tem paralisia cerebral e mora na Noruega junto com a mãe brasileira Liliana Fossmo. O equipamento, doado pelo governo, consiste em quatro suportes com rodas aos quais uma tira está ligada. Esta se ajusta à altura e ao tamanho adequados para a criança.
- Pela primeira vez em 15 anos, vi minha filha andar - diz Liliana, que disponibilizou no You Tube um vídeo (veja abaixo) mostrando a primeira vez em que Diana caminhou com a ajuda do equipamento. - Hoje eu a vejo mais feliz.
O NF-Walker alia a praticidade ao desenvolvimento da saúde de seu usuário. Permite pequenos movimentos, estimula uma postura ativa e encoraja uma circulação sangüínea saudável. Não há dúvidas, portanto, sobre sua funcionalidade e importância.
- O governo da Noruega tem nos ajudado muito. - avalia Liliana. - A política para os deficientes funciona mesmo aqui.
Brasil não ratifica Convenção da ONU
A Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, da ONU, é considerado por entidades humanitárias um documento de extrema importância para a inclusão social de pessoas com deficiência e para garantir sua igualdade perante o resto da população. Cento e noventa e dois países já a aprovaram, mas o Brasil deixou de ratificá-la no dia 3 de maio. Em entrevista à Rede Gife, o assessor de comunicação do Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD), Andrei Bastos, disse que o texto é imprescindível na medida em que ele define a deficiência como uma questão social, não médica. Membros da sociedade civil, organizações não-governamentais e autoridades públicas e acadêmicas criaram o movimento Assino Inclusão. Trata-se de um abaixo-assinado online para que a não-ratificação seja revertida.Já os mais de 30 milhões de deficientes brasileiros (físicos, motores, mentais, visuais e auditivos), segundo censo do IBGE, não podem esperar tanto do governo na questão da inclusão baseada na tecnologia. O Ministério das Comunicações, no entanto, disponibiliza em seu site um aplicativo bastante útil para os deficientes visuais. Desenvolvido pela Fundação CPqD, com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Telecomunicações (FUNTTEL), o Leitor de Telas é exatamente o que o nome sugere: após instalado no computador, o programa lê em voz alta o que está aparecendo no monitor do computador.
Outro software bastante popular com a mesma função é o DOSVOX, desenvolvido pelo Núcleo de Computação Eletrônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O setor estima que mais de 6 mil pessoas o utilizem. A aposentada Neyde Raimunda de Oliveira, vítima de um glaucoma aos 24 anos, é uma delas.
- Nas provas da escola, era tudo datilografado. Fazer minha monografia foi um problema: eu errava algo e tinha que refazer várias páginas. O programa [DOSVOX], que utilizo todos os dias, simplificou minha vida. Sempre adorei ler e agora posso aproveitar todos os livros da minha biblioteca particular (o sintetizador de voz do programa lê páginas escaneadas). O computador introduziu uma mudança enorme na minha vida. Agora sou mais independente. Trabalho igual a vocês - diz Neyde, referindo-se aos que enxergam.
O DOSVOX executa no Windows e pode ser baixado gratuitamente aqui.
Só não dá para comprar
- Já há uma distribuidora, a Digibras Indústria do Brasil - diz. - Mas existe o problema em se obter a licença, porque antes é preciso definir se o Mouse Ocular é um equipamento de informática ou de saúde, o que é difícil.
| Guilherme pôde acessar mais recursos do celular depois da tecnologia Talks |
- O programa de voz funciona bem e me permite acessar recursos que, por ser cego, não tinha antes. Posso saber quem está me ligando, ver as últimas chamadas recebidas e efetuadas, receber e enviar mensagens de texto, configurar toque e volume.
Guilherme tem retinoze pigmentar, um processo degenerativo nas células da retina.
- Fui perdendo a visão até que aos 15 anos não enxergava praticamente mais nada – diz o administrador, hoje com 30 anos. – O Talks me dá uma autonomia interessante.
Tecnologia 3G
Quando se trata de telecomunicações, uma das novidade mais atraentes é a tecnologia 3G, que vem se popularizando entre as operadoras brasileiras desde o ano passado. Ela permite a transmissão de dados com muito mais rapidez que a segunda geração de celulares (2G), a dos digitais - a primeira foi a dos analógicos. É possível assistir à televisão no aparelho e acessar a internet em banda larga. Um download que antes demoraria 18 minutos para ser finalizado, agora demora um.Neste pacote de serviços que fazem saltar os olhos, está o sistema de videoconferência. Aqui, o usuário, além de ouvir quem está do outro lado da linha, pode vê-lo. Quem costuma falar no celular ganhou um serviço extra, mas existem pessoas que vêem nele a única oportunidade de se comunicarem a longa distância: os surdos. A troca de imagens permite que os interlocutores conversem pela Linguagem Brasileira de Sinais (Libras).
A Claro foi uma das operadoras pioneiras a lançar a rede de Terceira Geração no Brasil e, desde novembro passado, o serviço está disponível para cerca de 35 milhões de pessoas em 41 municípios de todo o Distrito Federal e regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Recife (PE), Fortaleza (CE) e Porto Alegre (RS). A empresa também oferece serviço de atendimento a clientes surdos, que, usando Vídeo Chamadas, comunicam-se com atendentes treinados no sistema de Libras. A Claro declara: "Nossa expectativa é de que os celulares 3G sejam cada vez mais utilizados como uma ferramenta de comunicação para os clientes com deficiência auditiva."
E assim a comunicação se aperfeiçoa e se expande, democratizando-se e agrupando um número cada vez maior de indivíduos. Mas ela pode começar contida: dentro de uma casa, por exemplo, entre familiares, ou na biblioteca particular, quando os livros podem ser lidos na tela de um computador. Ela se dá em volta de casa, quando uma cadeira de rodas automática ou uma muleta permitem a interação com o meio. Depois, se dá além, quando um programa traz um emprego, uma prótese leva às Olimpíadas, uma ligação visual liga interlocutores de cidades, países e continentes diferentes. A tecnologia, então, recria limites e destrói fronteiras.
Super interessante...
ResponderExcluirComo seria maravilhoso se o Gov.Brasileiro desse mais atenção ao deficiente!!!
bs,
Francy
Pois é... mas eu tive um daqueles momentos de crise existencial na vida e decidi que eu vou botar a mão na massa e correr atrás para ajudar em todos os campos que eu puder.... hahahaha com certeza esse post vai ajudar alguém e a informação que nós adquirimos vai nos possibilitar ajudar nossos próximos também... né? bjs
ResponderExcluirTemos que cada um fazer a nossa parte............... eu tb já comecei em outros setores...
ResponderExcluirbs,
Francy