Então estou eu estrebuchando de dengue no Barra Dor...
Aquele médico exageradamente delicado e calmo...
aquele enfermeiro exageradamente simpático e "alegre"...
Hora de ir fazer a ultrassonografia de fígado.
Tira da cadeirinha de ver tv reclinável e gostosa, põe na cadeira de rodas, cuidado com o soro, cuidado com a veia, cuidado com a chata que já tá de saco cheio...
vira daqui, vira de lá, entra no elevador, anda de elevador, sai do elevador...
um frio filho da puta, o casaco não entra no braço por causa do acesso venal, o enfermeiro alegre nunca lembrou de me dar a manta que eu pedi assim que entrei...
me encostam em qualquer canto.
Uma senhora de boa aparência aguarda algum exame também e puxa papo (aqueles papos onde os olhos procuram qualquer lugar para não se encontrar)
Um senhor bem bem bem velhinho passa numa maca e eu penso que ele já deve estar fazendo a "ronda da despedida" porque ele tá bem acabadinho já...
A cadeira de rodas mexe e me levam para a sala do exame. Deito na cama. Aguardo.
Ps: Aguardo com o Diógenes olhando para a minha cara, pois tinha até me esquecido que ele estava ali.
Cena de comercial de filme de amor e desejo: toca uma música de fundo que só eu ouvia, piscam umas luzinhas de fadinha que só eu via, tudo some e ficam somente eu e o médico.
O médico.
Ele é LINDO.
Não é muito alto (mas eu também não sou), é um louro puxado para ruivo, olhos claros mas imperceptivelmente claros, barba rala e rente, bem ruiva, magro, dentes lindos, sorriso lindo...
Inicialmente pensei que era o Ranz, mas era o Ranz infinitamente melhorado...
O Ranz puxa pro alemão, né? O médico puxa pra europeu mas um europeu tipo tcheco (???)... holandês (???)... germâniico (???)... sei lá... ele é lindo.
Me diz um oi baixinho, delicioso, como aqueles ditos ao pé do ouvido...
Arruma minha roupa para o exame... hummmmmm
Sobe a blusa... meu sutiã rendado e up-breast aparece e não me deixa na mão.
Abaixa a calça... hummmmmm ótimo, eu já estava magra, emagreci mais com a dengue, a calcinha faz conjunto com o sutiã e também é linda (que ironia, foi o Dio que deu)...
Caio na real - lembrei que o Dio estava ali e presenciando tudo. Voltemos à cena.
Abaixa a calça. Joga o gel na minha barriga. Dou um gritinho nervoso (ele dá um risinho nervoso e pede desculpas, mas diz que é gelado assim mesmo). Sinto aquele friiioooooooooo
na barriga (por causa do gel, tá?) e ele sorrindo e me olhando nos olhos.
É amor à primeira vista. Para ambos. Meus cílios sorriem para ele.
Começa a deslizar aquele instrumento anatômico, sexy e utilizável de ultrassom em minha barriga.
Fecho os olhos. De olhos fechados parece que ele está me acariciando. Hummmmm.... que delícia.
Respire. Prenda. Solte. Milhões de vezes seguidas.
Que delícia.
Estou quase curada da dengue. Estou com uma doença incurável agora:
TESÃOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
Era pra ver só o fígado.
Ele vê todas as minhas entranhas e o que dá pra ver.
O tempo acaba.
Ele me oferece toalhas de papel. Fico que nem uma otária olhando para ele e penso que o tempo está acabando e não posso perder o meu "amor".
Aí vem aquele choque hipopótomótico.... hahahahahha
O Dio (que eu tinha esquecido que estava ali) levanta, estende as mãos, pega as toalhas e agradece e começa a limpar o gel da minha barriga. O médico me olha, sorri por dentro (eu sei que ele também me ama) e sai.
Olho seu crachá e gravo seu nome na minha memória. (Claro que não direi pra vcs)
E rezo para que meu fígado se desfaça ou que algo me leve novamente ao ultrassom do Barra Dor... se eu não for mais louca antes e correr para procurar o Dr. X. (hahahahahaha)
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