As ruas da cidade pareciam vazias, pareciam perfeitas. As ruas pareciam o eco em sua mente e o desejo do anonimato. Seus olhos não buscavam, apenas contemplavam aquilo tudo que era só seu: o nada, o silêncio, o vazio, a ausência. Desejava o máximo de ausência possível. Nada mais bastava.
Sentiu vontade de dançar, girar pelas ruas, abrir os braços como Cristo e agitar no ar a sua felicidade por tudo o que não era.
Deitou no asfalto como se todos os carros do mundo tivessem sumido da face da Terra. Cruzou as pernas e os braços e olhou o céu - nublado. Lindas nuvens, linda brisa de chuva, lindo cinza que coloria tudo exatamente como dentro dela.
Tudo cinza. Cinza. Cinza.
Não tinha ontem, não tinha agora e não tinha amanhã. Não tinha nada, somente o não ter e não ser.
Sem amigos, sem vida, sem sentido, sem morte. Viva.
Infelizmente não estava cinza como o céu. Estava corada.
Levantou e voltou a andar. Não tinha mesmo para onde ir.
Não desejava absolutamente nada.
Não tinha planos.
Isso fazia da vida dela o que?
Fazia dela o que?
Nem essa resposta tinha.
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