terça-feira, 13 de abril de 2010

Cômodos

Cada vez menos eu desejo fazer parte do maquinário social e me recolho a cômodos menores e menores e menores até reduzir meu espaço a meu corpo e um notebook. Tudo o que aprendi de sociologia, filosofia, antropologia, tudo o que aprendi em comunicação e na minha vida perdeu o sentido com o passar do tempo. Lidar com o ser humano é uma questão de espera. A espera da próxima mentira, da próxima briga, da próxima traição, da próxima decepção... Então, num instinto de auto-preservação eu me afastei e evito o máximo possível todo e qualquer contato a não ser os que são inevitáveis. Acho tudo isso muito triste. Hoje sou como um eremita. Vejo a vida passar pela janela ou pela tela da tv. Em um mês de 30 dias eu devo colocar os pés fora da porta da minha casa no máximo uns 5 dias. Minha vida "social" é toda virtual. Os telefones tem bina e eu raramente os atendo. Não confio em ninguém. Percebi que a estrura de uma pessoa, a base primordial de um ser é sua família e quando essa base tem rachaduras, esse ser não tem como estar inteiro, como estar bem. Não faço mais planos. Já percebi que enquanto sou mãe e companheira não posso fazer os planos que gostaria. Apenas aguardo. Recolhida, em silêncio, longe de quem eu acredito que possa me machucar,me ferir. Animais selvagens só atacam quando se sentem ameaçados.

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