terça-feira, 9 de abril de 2013

Sacro, saco, seco

Nem sei por onde começar.  Estou de saco cheio!  Sinto como se minha sensibilidade ao mundo estivesse à flor da pele e de repente tudo, todos, tudo e todos afetassem tanto a minha existência que se eu pudesse escolher deixaria de existir.  Complexo? Nem tanto.
Eu simplesmente não consigo compreender tanta violência, tanta ignorância, tanta burrice, tanta coisa.  Como se uma nuvem pesada, negra, sufocante, me envolvesse por inteiro e me esmagasse.  É tão difícil respirar, não ter para onde fugir, não poder fazer nada e ser obrigada a ser mera expectadora das ações dos outros, apesar delas me afetarem.
Desde que comecei a frequentar a igreja evangélica ouço muitas metáforas e uma delas sempre me despertou curiosidade.  "A pessoa está enfrentando um deserto" e coisa e tal.  Confesso que nunca tinha entendido mas agora entendo.  É como eu me sinto.  Não é falta de fé, é falta de saco.  Eu estou enfrentando um deserto gigante, sem fim, seco e inóspito e não sei como fazer para sair dele.
O deserto é meio como uma depressão.  A pessoa sabe que está deprimida, depressiva, se desespera, quer sair da situação, mas não quer sair da situação ao mesmo tempo e não sabe como sair ou não tem forças para sair.  E o pior é que quem olha de fora acha que é frescura, acha que é fraqueza, acha que é "showzinho". NÃO É.
Estar no deserto é igual.  Eu não sou Cristo.  Eu não sou santa.  Eu não fui tocada tão intensamente pelo Espírito Santo que consiga sobreviver e suportar a aridez do momento.  Eu sei, eu sinto, eu vejo, me angustia, mas não consigo.
O pior é que quando estou nesse deserto o "sacro" é como  um "borrão" que fica passando diante dos meus olhos.  É lindo, é feio, é tedioso, é cansativo, é real, é irreal, é fato, é ilusão.  Eu quero, eu não quero, eu preciso, eu não preciso.  Tá, eu sei, é meio bipolar, eu sou bipolar, mas juro que a sensação não tem nada a ver com a doença.  É a dúvida, a incerteza, a confusão que, como um câncer, passa a achar espaço no lugar mais sagrado que existe em mim - a fé.  Eu começo a me questionar sobre um monte de coisas que antes eram absolutamente certas.  E quanto mais eu me questiono, mais eu me afasto e pior fica o "deserto".
A questão é complexa - onde eu acho o meu oásis no meio disso tudo?  Como achar a "água viva" que pode me salvar e curar?  E mais complicado ainda - como ouvir O único que pode me resgatar se tudo virou esse "borrão"?
Talvez esse seja o maior ato de fé e a única forma de vencer os meus "40 dias" no deserto.
Se Ele conseguiu e eu creio Nele, se a Palavra Dele me guia, então eu só preciso voltar a ouvir.  Deve ser como andar de bicicleta.

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