sexta-feira, 12 de abril de 2013

O céu de hoje e o céu de ontem

Olho para o céu e não deixo de pensar que ele é o mesmo céu de antes, de sempre.  Há muitos anos atrás que não parecem assim tão distantes eu olhava para o mesmo céu deitada na rede na varanda do Barramares.  Aquele céu era meu.  Aquele céu era o véu que cobria os muitos encontros amorosos que aquela varanda testemunhou.  Era o céu que contemplava minhas lágrimas quando eu chorava de saudade.
O céu não mudou e quando olho para ele, por uma fração de segundo, parece que nada mudou.  E ele passa a ser uma máquina do tempo que me transporta para as rodas de violão onde mamãe cantava e sorria, onde papai conversava sobre a vida, onde eu beijava amigos, amores, amantes.
Hoje o céu é o mesmo, porém tudo mudou.  Ele acolhe a minha insônia e a minha solidão.  Ele me lembra que eles já se foram e que não há mais amantes, amores, amigos.  Ele me mostra que a varanda é outra e que não há mais violões tocando MPB e bossa nova nem beijos cheios de ansiedade ao nascer do sol.
As estrelas brilham e permanecem em seu lugar fazendo com que a poesia de ontem seja a mesma de hoje.
Então entendo que o céu é minha testemunha.
O céu testemunhou o primeiro beijo, o primeiro amor, o primeiro sexo, o primeiro porre, e tantos primeiros e primeiras.
A saudade bate e dói.  A lembrança do sorriso e das canções, a lembrança do "bom dia sol" todos os fins de semana, a lembrança de milhares de madrugadas de insônia compartilhadas com a pedra da gávea, o barulho do mar.
Eu penso que o céu sempre estará lá, as pessoas deixaram de estar, as lembranças permanecerão ligadas a cada estrela e ele será eternamente o meu diário, o registro de tudo o que eu vivi, de bom e de ruim, mas principalmente do amor, dos amores, dos amantes, dos amigos...

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