segunda-feira, 30 de março de 2009

gat

Eu nasci de  novo, ressucitei. Não escrevo isso de uma forma piegas nem dramática, mas escrevo como uma análise sincera de tudo que me aconteceu nas duas últimas semanas. Para quem está de fora é muito difícil imaginar o que eu senti. Você acordar mais um dia para viver a sua rotina de sempre e às 10:30 receber sem preparação nenhuma, "a seco", a notícia da morte de uma das pessoas que você mais ama. Não sei como explicar como é mudar uma programação ou como é receber de presente de aniversário o enterro de um ente querido. Desse momento eu me lembro. De receber a notícia e quebrar o quarto todo e gritar sem para com todo meu folêgo e da raiva que eu senti. Pensei um monte de coisas, mas o que mais me desesperou foi como eu contaria para  minha filha de 7 anos. Que ironia! Hoje, dezoito dias depois, ela é a mais tranquila e conformada e eu ainda estou desesperada. Depois de contar a ela eu não me lembro de mais nada, absolutamente nada, e de repente acordo na casa de uma amiga alguns dias depois. Nove dias da minha vida simplesmente sumiram da minha mente. Foram dias que existiram e dias em que eu vivi, mas inconscientemente. Eu só tinha sentido isso bêbada, drogada ou quando tive traumatismo craniano: momentos em que você vive e interage com as outras pessoas mas não age consciente e nem racionalmente. Sei que ainda vou escrever muito sobre isso pois é a única forma de expurgar toda a dor e todo o sentimento confuso que está dentro de mim. Fazem 18 dias que eu não consigo levar minha filha na escola, cozinhar, cuidar da casa ou qualquer coisa que fizesse parte do meu dia normal. Entretanto, após fazer um "tratamento espiritual" dentro da minha religião eu senti que algo mudou. Foi como se a escuridão que me envolvia tivesse sido arrancada e eu tivesse voltado a ver a luz. Meus pensamentos clarearam, minha mente voltou a agir normalmente e um pouco da dor e da raiva sumiu.

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